domingo, 5 de agosto de 2012

Hoje sonhei que um amigo de infância que há muito não via, estava velho.
Vê-lo com a fisionomia envelhecida, foi um impacto que quem envelhece convivendo com os seus, acho que não tem. Pois, todos envelhecem juntos.
Uns mais outros menos, claro! Mas, ninguém fica congelado no tempo (Bem que eu gostaria).
Sonhar com isso me deixou em pânico no sonho, e pensativa quando acordei...
Se eu não morrer antes, envelhecerei. Envelhecer e morrer, são as únicas coisas realmente certas na vida. E é bizarro pensar que nossas únicas certezas são exatamente as que não gostaríamos de ter. E entre elas, nem dá pra escolher.
Preciso assumir que tenho medo do futuro, tenho medo do que será e do que virá, quando a velhice chegar.
Será que saberemos nos virar?
Perder a capacidade de ir e vir, para quem é independente como eu, já pode ser considerado - A morte.
Perder a capacidade motora, pra quem como eu, ama dançar, sair, se divertir... Pra quem teve uma infância livre, correndo, pulando, subindo em muros, aprontando... Repentinamente se ver com os movimentos limitados...
Deve ser horrível querer fazer alguma coisa e não poder.
Será que teremos alguém para nos ajudar? Ou seremos aquele peso morto que preferem jogar pra lá e pra cá...
Será que teremos um companheiro ao nosso lado, para tornar o fardo mais suportável?
Será o que dinheiro que ganharemos será suficiente para nos bancar vivendo em um País onde a saúde pública é caótica e a particular, caríssima. Será que teremos suficiente para planos de saúde, contas, remédios... Como será que nossos filhos vão nos tratar, nos cuidar...
São tantas questões sem resposta, que apavora pensar.
Eu não vou mentir, morro de medo do que será de mim quando a velhicie chegar.
(Ana Paula Moraes)

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